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“ Rosa Parks se sentou para que Martin Luther King pudesse andar . Martin Luther King andou para que Obama pudesse correr. Obama está correndo para que nós possamos voar . Eu mal posso esperar pelo dia 5 de novembro para dizer “ olá, irmão presidente “ . “ ( Jay-Z, rapper americano ) - Jornal O Globo, 4 de novembro de 2008, pg. 35
Porém é necessário não somente a discussão e a tomada de consciência (conhecimento) sobre o negro, sua história, seu valor e contribuição na construção de nossa sociedade, sobre a eliminação do racismo e do preconceito racial, mas também a adoção de políticas de ação afirmativa para compensar as conseqüências da discriminação da população negra no Brasil. E para tanto, os EUA são um bom exemplo para o Brasil ( apesar de ser alardeado por uma minoria que declara-se “anti-racista” que não pode-se comparar a experiência americana com a realidade brasileira ).Foi a partir da tomada de posição, fruto de lutas e ações não apenas da comunidade negra, mas também das diversas esferas ( principalmente a governamental ) que a sociedade americana pôde experimentar uma mudança em busca da igualdade plena de seus cidadãos . Igualdade que culmina com a eleição do 1º. presidente negro dos EUA. Eleição que é fruto de um ato de coragem de um presidente branco ( Lyndon Johnson ) que consciente da necessidade de construir no seu país uma sociedade igualitária e justa, ousou contrariar as conveniências políticas e assinou em 1964 o Ato pelos Direitos Civis . Podemos ver o fruto desta iniciativa 44 anos depois, quando o 44º. Presidente eleito nos EUA é um beneficiado por este ato ( Barack Obama ), um afro-americano .E quando será que em nosso país teremos uma plena tomada de consciência e um início de ações práticas que nos conduzam a um novo momento social, e que também se traduza em igualdade de condições e de oportunidades ? De ver no Brasil “O sonho americano“ de Martin Luther King, as lutas dos diversos líderes negros e a coragem da sociedade americana em vencer o racismo e tornar o país na realidade uma “democracia racial” ? Não será agora, seguindo o exemplo dos EUA, a hora de ter coragem e assumir que não é possível perder mais tempo em discussões vazias e partir para ações ousadas e efetivas em busca da eliminação do racismo, da discriminação e do preconceito em nossa sociedade ?
“ Se as pesquisas estiverem certas, se não chover e se os rios não subirem, o vencedor das eleições presidenciais será ... Lyndon Baines Johnson . Quando assinou o memorável Ato pelos direitos Civis, em 1964 Johnson sabia que estava deixando o Sul e, com isso, muitos dos votos de brancos de várias regiões . “ Nós perdemos o Sul por uma geração “, haveria dito. Para essa geração, o tempo acabou . [...] Não sou ingênuo. Racismo existe, e dependendo do assunto – crime, por exemplo – ele pode até aumentar . Mas o país mudou, por causa de personalidades, políticas e ações . Os atos pelos direitos civis da era Johnson fizeram brancos comer com negros nos mesmos restaurantes e dividir os mesmos hotéis. Ações afirmativas acostumaram brancos a ver negros em posições das quais eles haviam sido , por lei, excluídos . Brancos e negros puderam, de fato, trabalhar juntos. Os racistas estavam errados. “ (Richard Cohen, colunista do jornal “Washington Post“ ) - Jornal O Globo, 5 de novembro de 2008, pg. 33
Notas :
1 Consciência . sf ( lat conscientia ) – 1- Capacidade que o homem tem de conhecer valores e mandamentos morais e aplicá-los nas diferentes situações . 2- Conhecimento . 3- Percepção imediata da própria experiência; capacidade de percepção geral . ( Michaelis, Moderno Dicionário da Língua Portuguesa )
4 Preconceito . sm ( pré + conceito ) – 1- Conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos adequados . 2- Opinião ou sentimento desfavorável, concebido antecipadamente ou independente de experiência ou razão . 3- Atitude emocionalmente condicionada, baseada em crença opinião ou generalização, determinando simpatia ou antipatia para com indivíduos ou grupos .
( Michaelis, Moderno Dicionário da Língua Portuguesa )